É sobre relacionamentos e pessoas. Bem antes de fundarmos o Instituto Logística Lean (IILean), ouvimos muitas e muitas vezes que a gerência era resistente à mudança. Particularmente nos nossos projetos, vivenciamos isso todos os dias. Algumas vezes, o IILean se depara com uma gerência comprometida, noutras ela tem dificuldade de se engajar. A reação das pessoas não era devido a algum tipo de crise. Tinha relação com as mudanças e as melhorias.
Nas nossas intervenções de melhoria não havia sequer uma crise artificial, dada pelos experts do lean como condição necessária à mudança, necessária às melhorias.
A crise é enorme, mas Akio Toyoda, CEO da Toyota sente-se calmo. A crise da Covid-19 é imensamente maior. Maior que a crise de 2009. Maior que o terremoto em Kobe, de 2015.
O que isso tem a ver com o comportamento da gerência?
Desde a crise financeira, há 11 anos atrás, Akio tem testemunhado ou experimentado mudanças drásticas, enormes. No início de sua gestão como presidente da Toyota ele percebeu que nem o pessoal interno, nem o externo à empresa ficou muito feliz com sua chegada.
Internamente, praticamente quase todos os empregados, principalmente o pessoal técnico ou administrativo, trabalhariam no seu próprio ritmo. Parecia a ele que as pessoas tinham suas próprias teorias de como as coisas deveriam ser feitas. Mesmo pedindo, os empregados não queriam mudar o status quo.
Não é nada fácil mudar teorias e hábitos arraigados. No IILean tratamos as melhorias como uma jornada com muitas barreiras no caminho. Uma escada com muitos degraus antes de atingir a visão ou chegar a ser uma empresa lean. Identificamos os tipos de barreiras que aparecem no caminho e tratamos de removê-las. Nos preocupamos especialmente com o primeiro degrau.
Diante de uma barreira, os gestores mostram alguma insegurança que deve ser tratada durante a intervenção para melhorar os processos da empresa. Agora, imaginem uma barreira colossal como esta grande crise. Parece impossível não ficar inseguro. Contudo, Akio diz que quanto mais calmo ele estiver, mais calmas serão as coisas na companhia, mesmo diante de uma crise gigantesca.
Durante as crises, Akio teve oportunidade de ajudar as pessoas, que passaram a ouvi-lo e demonstrar simpatia. A quantidade de pessoas que querem trabalhar com ele está aumentando. Quando encontra estas pessoas sente que as oportunidades de “dizer obrigado” são cada vez maiores. Isso nos sugere que as pessoas estão melhorando.
Quando o ILLean faz uma intervenção dizemos a toda hora: “façam”; e depois do resultado alcançado dizemos “muito bem”, num misto de exigência e reconhecimento pelo esforço das pessoas. Também valorizamos o esforço.
Akio Toyoda não perde uma oportunidade de agradecer, mas sabemos que nível de exigência da Toyota é proporcional à qualidade dos processos e produtos. Espera que continuem a enfatizar o tipo de relacionamento onde podem dizer obrigado uns aos outros. Com este nível de relacionamento não deveriam mudar a ideia de que trabalham para alguém que não eles: para a Toyota.
O ILLean acredita que as pessoas se sentem motivadas a fazer algo maior do que elas mesmas. Numa equipe, o objetivo mais elevado é coletivo. Tentam todos os dias alcançar o degrau mais alto, a visão de futuro. Para tanto, é preciso dar o primeiro passo.
Lembre-se que você superou crises anteriores. Fique calmo. Ajude. Exija. Melhore. Conquiste a confiança da equipe. Diga obrigado. Trabalhe por algo maior.
22/06/2020
Rogério Bañolas
Fonte: https://toyotatimes.jp/en/insidetoyota/075.html FY2020 Financial Results Press Conference

Encontrei nesse artigo palavras sabias que parece que entendem o caminho de um gestor que tem no cerne de sua gestão a responsabilidade de mudar processos e de melhorar as pessoas constantemente. pareceu um balsamo ver que outros também passam isso no seu dia a dia, porque as vezes nos sentimos tão sozinhos que pensamos no que acreditamos como teorias de lean e outras como obsoletos e não valiosos.
Mas com base neste artigo me parece que é questão de terra fértil e lugar certo. Me ajudou a entender que vale a pena continuar lutando por mudar as organizações mesmo que o preço disso é alto e nos coloca em posições de humilhação como demissões etc… Por fim, o artigo diz em palavras vale a pena existem pessoas e empresas como você. Por tudo isso meu muito obrigado.
Carlos, , obrigado pelos comentários. Nem Akio foi aceito no ínício. Creio que ele saberia dizer obrigado aos que tentam melhorar, mudar, fazer diferente e melhor. Abraço.
Ótima reflexão.
A Toyota tem como forma de gestão, desafiar constantemente a sua equipe (redução do nível do reservatório para revelar novos obstáculos…), alinhado com o pensamento do Ohno.
Obs.: o terremoto de Kobe foi em 1995. O último grande terremoto com tsunami que abalou a economia japonesa foi em 2011.
Jorge, obrigado pelos comentários. Confundi-me com a data/ano final 5. Corrigirei. Grande abraço.