Lean: ágil ou rápido

Taiichi Ohno utiliza a fábula, uma analogia, da lebre e da tartaruga para mostrar a importância do fluxo contínuo, sua relação com os estoques intermediários e a noção de uma falsa produtividade. O que aparentemente é mais lento, na verdade é mais rápido. Realizado em menos tempo.

Como deve ser a primeira intervenção na operação (logística, produção ou serviços), gastando o menor tempo possível? O problema escolhido deve ser importante ou ajustado ao tempo limitado? O tempo de intervenção deve ser ditado pelo método (por exemplo, o kaizen blitz)? É uma questão de tradeoff.

Ágil, na nossa visão, é o menor tempo possível para resolver um problema importante. Entendemos rápido como sendo a corrida de uma lebre. Ambos têm a ver com produtividade, lead time, custo, investimento, eficácia e a utilização de ativos.

Duas plantas daninhas têm efeitos diferentes: apesar de ambas ocuparem o lugar do pasto, reduzindo a quantidade de alimento para o rebanho, o espinilho é pior, pois machuca os animais com seus espinhos.  A Maria-mole é um arbusto médio, que compete com o pasto. O espinilho é uma árvore sob a qual não nasce pasto.

Ser rápido é comprar uma roçadeira manual para resolver o problema mais fácil: cortar as marias-moles. Ser ágil é escolher cortar os espinilhos, problema mais difícil, maior e mais importante, uma árvore daninha. A maria-mole é um arbusto.

Um machado afiado dá conta de cortar o fino tronco da árvore. Uma máquina (roçadeira manual) é mais cara, tem maior custo e implica em investimento.

A rapidez é uma questão relativa. Pode ser que a roçadeira faça em menos tempo ou não. A roçadeira tem que parar para se colocar gasolina ou quando as navalhas enroscam nos ramos. De qualquer forma, um pouco mais de tempo de machado justificaria o menor investimento e menor custo – a tartaruga chegaria um pouco depois da lebre – do que roçar. Ou, melhor ainda, se o machado afiado abrir uma área maior por hora em relação à roçadeira.

Optamos por uma abordagem (intervenção) ágil em vez de uma solução rápida. Optamos por escolher o problema a ser atacado considerando o tradeoff entre relevância, resultado e esforço empregados na solução do problema.

 

Rogério Bañolas

09/08/2020