A velocidade ideal da transformação

Qual a velocidade certa para a transformação lean ser bem-sucedida? Essa é uma questão crucial quando pensamos em sustentabilidade da mudança. Ir muito rápido ou muito devagar está incluído na lista de 7 erros da transformação lean listados por David Brunt. Ir muito rápido ultrapassa a capacidade de a empresa desenvolver competências. Ao ir muito devagar perde-se o senso de urgência e a inquietação necessárias.

Podemos avançar com qual velocidade? A pergunta – e esta é A pergunta com A maiúsculo – é respondida da seguinte forma por Brunt: quebrar o plano em pedacinhos.

É aí que decidimos adotar um outro caminho. Presumimos que o primeiro degrau da mudança não se fixa necessariamente na existência de um plano. O plano vai se formando ao longo da intervenção de curto prazo, que é nosso interesse institucional.

Em vez de “quebrar o plano” adotamos o “Modelo do Cardume”. Peixes nadam sincronizados até que o “tubarão da mudança” aparece. A maioria de nós já viu esta cena: quando os peixes percebem o tubarão passam a nadar mais rápido, mas os peixes ainda seguem na mesma direção, conduzidos por um líder somente, mas a uma velocidade muito baixa. É necessária uma velocidade maior. E o tubarão a impõe. Se o tubarão for muito rápido, o cardume se desorganiza dividindo-se em dois ou mais grupos caóticos, cada um com uma liderança puxando para o seu lado.

Baseando-se nessa imagem do cardume podemos explorar ludicamente o processo de mudança: modelos de transformação; o papel da liderança; a velocidade ideal; a motivação; a existência de um propósito; resultado x processo; uma receita para mudar; e dentre outros fatores, a simplicidade do lean frente à complexidade da transformação. Não há fórmula 100% segura para fazer a mudança acontecer. Não há um plano rígido.

A verdade é que a velocidade ideal pode ser escolhida intuitivamente e ser dependente da expertise tácita do sensei. Isso não basta: é preciso tornar o conhecimento explícito e relativamente independente do sensei para que os líderes possam conduzir as mudanças no ritmo ideal quando aquele não estiver presente.

Num primeiro contato do cliente com a iniciativa lean, o sensei saberá que velocidade estabelecer. Este profissional experiente também está sujeito a erros, porém com um grau de sucesso maior.

Venha conversar com o Instituto Logística Lean sobre os momentos iniciais e cruciais da transformação lean.

Referência: https://www.leanuk.org/seven-mistakes-with-lean-transformations/  

Consultada: Lean Transformation Framework de John Shook.

 

Mortalidade das empresas

 

Você sabia que 23,4% das empresas abertas no Brasil são fechadas em menos de 02 anos? Menos da metade das empresas abertas no Brasil na última década sobreviveram por mais de cinco anos?

Esses dados alarmantes são da pesquisa feita pelo SEBRAE em 2016, quando o Brasil passava por um cenário bem diferente do atual (pandemia) e mostrava indicadores favoráveis tais como: expansão do PIB; queda do desemprego; queda dos juros; expansão do rendimento médio e melhora do ambiente legal.

A mesma pesquisa aponta que para 12% dos entrevistados a maior dificuldade enfrentada por eles no primeiro ano é a falta de conhecimento, sendo que 15% dos entrevistados dizem que não teriam fechado sua empresa, em menos de 02 anos, se tivessem mão de obra mais qualificada.

Conforme o tipo de empresa, dois anos são pouco tempo para preparar os empresários e sua equipe. Principalmente no que tange à melhoria de produtividade, da qualidade, de prazos e de custos (especificamente desperdícios).

Nestes quesitos, as empresas se sairiam melhor ao utilizar um conjunto de competências específicas.

Empresas fechadas antes de completar 2 anos1 Competências2
Não negociou prazos com fornecedores Diminuir rapidamente prazos/lead times para melhorar o fluxo de caixa.
Não obteve empréstimos em bancos O caixa é necessário e melhor ainda se aumentar a disponibilidade de caixa via redução de estoques.
Não investiu em capacitação Capacitação modular e focada para os sócios e equipe
Abriu por exigência do cliente Melhorar entrega de valor ao cliente em termos de qualidade, custo e entrega.

Observações: 1 – Extraído da pesquisa do Sebrae 2016; 2 – Know how do Instituto Logística Lean.

Consideramos que é importante uma intervir rapidamente nestes 2 anos críticos – logo após a empresa estabelecer-se -, e elencamos algumas características operacionais necessárias à sobrevivência das empresas: atuação de profissionais experientes, competências compatíveis com o negócio, ser ágil nas decisões, treinamento justamente na medida necessária e proporção alta valor /preço. 

Qualquer empresa carece de conhecimentos em determinadas áreas. Sozinhas, não são capazes de mobilizar rapidamente as competências necessárias.

Mesmos se aplicados por consultores experientes, programas de prateleira não dão conta da necessidade imediata para adquirir competências.

Quando se trata de intervenções ágeis, melhoria rápida dos processos principais e capacitação na prática – tanto para os empregados quanto para os empresários/diretores – defendemos que o sensei é mais eficaz do que outro tipo de profissional. Sensei é a palavra japonesa que denota o mais experiente, aquele “que veio antes”.  Não menos importante é a utilização de linguagem simples, com menos estrangeirismos. Sensei é a única palavra estrangeira usada aqui, pois alguns termos são inevitáveis. São essas algumas das ideias por trás da abordagem do ILLean.

Mateus Macaferri

Rogerio Bañolas

10/06/2021

Insucesso na Implementação do Lean

Artigo escrito por  Matheus Macaferri, agregador do Instituto Logistica Lean.

Lean Manufacturing é uma filosofia de gestão da produção com muitos artigos escritos sobre como fazer para a implementação dar certo, mas somente em poucas empresas o Lean consegue ser realmente implementado.

Na minha opinião, exceto pela falta de liderança, o insucesso da implementação do Lean na grande maioria das empresas vem de dois pontos importantes: baixo entendimento da Filosofia Lean pela diretoria e os baixos resultados no curto prazo. Nesse artigo vou comentar um pouco sobre cada um destes pontos, e como o Instituto Logística Lean pode te ajudar em cada um deles.

  1. Baixo entendimento da Filosofia Lean pela Diretoria:

Na grande maioria das empresas a implementação do Lean vira um programa por parte da diretoria, uma meta em si: “Precisamos implementar o Lean na empresa”.

Transformar a implementação do Lean em uma meta e não um meio para obter os resultados necessários é um forte sinal de que a diretoria não sabe, ou ignora, os princípios da Filosofia.

O fato de a diretoria não compreender a importância do Lean torna a sua implementação quase que impossível, pois o tempo de maturação do Lean é longo, e os percalços provavelmente não serão compreendidos.

O Instituto Logística Lean tem como um dos principais passos no seu programa, o treinamento dos diretores, mas como treinar um diretor sendo que a maioria não tem tempo disponível para isso? O ILLean desenvolveu uma metodologia de treinamento que consiste em reuniões curtas direcionadas àquele problema específico – daquele momento-, selecionando as ferramentas lean justamente necessárias naquele momento. Utiliza intensamente analogias de fácil compreensão que vale também para o chão de fábrica. Todo esse processo de treinamento da diretoria dura no máximo duas horas por vez e é feito em mais de um encontro.

  • Baixos resultados no curto prazo:

As implementações de Lean nas empresas normalmente consistem em um treinamento completo sobre o método e suas ferramentas, que tem uma duração razoável.

O método usual é treinar todos os colaboradores envolvidos. As empresas tendem ensinar todos e implementar somente alguns dos métodos que compreendem o Lean. Várias começam pelo 5S e demoram mais tempo ainda para implementar gestão visual, gestão da rotina, trabalho padronizado, OEE, kanban, célula de manufatura, cadeia da ajuda, dojo e TPM dentre outros. Quando percebe que não está atingindo os resultados esperados, começa a desistir da implementação ou boicotar a mesma. Você, leitor, já passou por isso?

Pessoalmente acredito que os diretores, principalmente nos dias de hoje, precisam de resultados no curto prazo para alimentar um projeto a longo prazo. Mas Matheus “como faço para ter resultado a curto prazo, se o primeiro princípio do Lean é que ele é a longo prazo? ” A resposta a esta questão será apresentada abaixo e demonstrado como o ILLean pode te ajudar nisso.

O Lean é composto de diversas ferramentas que trazem resultados rápidos. A escolha de qual ferramenta utilizar primeiro é de suma importância. Você pode se perguntar: “O que implemento primeiro? ” O conhecimento dos senseis do ILLean, tem como principal objetivo implementar soluções ágeis. No primeiro Genchi Genbutsu, o sensei já faz algumas mudanças possíveis. A partir daí, as melhorias importantes são identificadas e implementadas.

Através do treinamento modular e incremental, o ILLean vai desenvolver, junto aos colaboradores, somente o conhecimento suficiente para tomar ações ágeis.

Com treinamento e implementação focados, o ILLean busca ganhos no curto prazo que vão motivar a diretoria a manter o projeto de implementação do Lean a longo prazo. O ILLean, a longo prazo, tem objetivo de dar sustentabilidade ao Sistema Lean.

O ILLean considera que o diretor e sua equipe devem compreender o Sistema Lean à medida que as mudanças acontecem. Adicionalmente, se houver resultados rápidos, as chances de a empresa continuar a jornada lean são maiores.

Matheus Macaferri

Rogério Bañolas

30/03/2021 – primeira publicaçãohttps://bit.ly/3sMqvKT

Somente 2 dos 5S’s para começar

Certamente você já ouviu muito falar sobre 5S. “Hoje vou fazer um 5S na minha mesa”, já ouviu também? Esse método é muito divulgado no Brasil e no mundo como algo cheio de etapas e formalizações. Mas dá para mostrar o que é 5S através de uma simples analogia, a partir da qual se deduzem os benefícios do 5S: redução de desperdícios, ganho de produtividade, ganho de espaço, melhor qualidade e a eliminação de duplicidade de recursos.

A essência do método 5S é tão simples que você provavelmente o utiliza para arrumar seu quarto. Na minha opinião: 5S é um método para melhorar o ambiente, tornando-o mais limpo, mais organizado onde é fácil encontrar as coisas. Não era exatamente isso que sua mãe esperava do seu quarto?

Assim que você recebia o “pedido” da sua mãe, a primeira ação era retirar tudo que não tinha utilidade. Você retirava a toalha que estava na cama, a xícara vazia de café, vários pares de calçados e assim por diante. Ao fazer isto você acabou de realizar o primeiro “S” do método, que consiste em remover do ambiente todo material que não é utilizado. Esse senso é conhecido como “Utilização”.

Você retirou tudo que não é útil.  O próximo passo é guardar toda a roupa que você espalhou pela cama. O rádio relógio que foi parar no chão também precisa voltar para o lugar.  Novamente, de maneira instintiva, você está executando o segundo “S” da metodologia, ele é conhecido como senso de “Organização”.

Agora seu quarto está completamente arrumado e agradando muito sua mãe. Ela tinha ordenado: “meu filho, vá arrumar a bagunça que está seu quarto!!!” Você não precisa mais desperdiçar tempo desviando objetos jogados no chão, nem para selecionar a roupa que vai usar no dia. Não pisa em cima de objetos, estragando-os, tal como aquele videogame. Também, deu-se conta de que comprou roupas em duplicidade porque não se lembrou que tinha uma parecida no armário. E, após a organização, “apareceu mais espaço” no quarto.

Acreditamos que a maioria dos conceitos, ferramentas e métodos lean possam ser explicados com analogias tão simples como esta. Mas você pode estar se perguntando: “Matheus, não entendi! Os 5S não são importantes? Você explicou só dois? Bom, muitas vezes para uma solução rápida, conforme o método geral adotado pelo Instituto Logística Lean (ILLean), sugiro implementar somente os dois primeiros “S”: retire o que você não usa e organize o que você usa, com certeza grande parte do resultado vai ser obtido prontamente.

O ILLean incorpora os 2S’s no seu método de Intervenção ágil para acelerar os resultados das empresas. Quem é ávido por melhorias na produtividade, organização, redução de desperdícios e custos pode procurar o ILLean. Entre em contato.

Um abraço e te encontro na próxima leitura!

Matheus Macaferri

16/02/2021

Intervenção Ágil

Com que rapidez pode-se melhorar o desempenho de uma operação? Um problema fácil pode ser resolvido rapidamente. Um problema importante leva mais tempo. Podemos pensar que colocar em dia pedidos atrasados, aumentar a produtividade, reduzir prazos de produção e recuperar capital de giro tome um tempo considerável. Quanto tempo levaria para obter resultados da ordem de grandeza a seguir?

Com que rapidez pode-se melhorar o desempenho de uma operação? Um problema fácil pode ser resolvido rapidamente. Um problema importante leva mais tempo. Podemos pensar que colocar em dia pedidos atrasados, aumentar a produtividade, reduzir prazos de produção e recuperar capital de giro tome um tempo considerável. Quanto tempo levaria para obter resultados da ordem de grandeza a seguir?

Mesmo num ambiente de baixa complexidade dos processos de produção pensaríamos algo entre 3 a 6 meses. Quando temos o primeiro contato com a operação, intuitivamente avaliamos o problema mais difícil do que na realidade é. Por três fatores: não queremos nos comprometer com prazos apertados; não sabemos exatamente o que fazer e porque olhamos através da lente dos métodos que conhecemos para melhorar o desempenho.

Você concordaria que as ações de melhoria foram ágeis, sabendo que os resultados citados foram obtidos em 4 semanas. Talvez você pense não ser possível.

Do mesmo modo, se você fosse um gerente na Toyota em 1947, pensaria ser impossível obter maior produtividade, menor custo, com menor prazo de entrega, melhor qualidade, produzindo quantidades menores com uma variedade maior de automóveis. O desafio de tornar possível o que se considerava impossível culminou com um modelo de gestão imbatível até agora. A comunidade lean conhece essa história.          

Da mesma forma, podemos acreditar existe uma forma diferente de utilizar as ferramentas lean que dá resultados em menos tempo. Que existe um método para obter resultados importantes em menos tempo. “Basta” desenvolvê-lo tal qual fez Michelangelo: “A obra-prima já existe na pedra, é só retirar o excesso”.

Da mesma forma, podemos acreditar existe uma forma diferente de utilizar as ferramentas lean que dá resultados em menos tempo. Que existe um método para obter resultados importantes em menos tempo. “Basta” desenvolvê-lo tal qual fez Michelangelo: “A obra-prima já existe na pedra, é só retirar o excesso”.

Ao escolhermos o problema estamos determinando o menor tempo possível para resolvê-lo. Problema mais importante, mais tempo, mais esforço. Mas a questão aqui é se podemos diminuir este tempo em relação aos resultados obtidos com as ferramentas lean utilizadas atualmente. Procuramos um método ágil: uma forma diferente de obter resultados em menor tempo.

A maneira de obter resultados rápidos, tão rápidos quanto possível, chamamos de Intervenção Ágil: um jeito peculiar de selecionar o problema, mapear os processos e de agir.

O Instituto Logística Lean possui este caso de sucesso numa empresa do ramo têxtil, mas pode ser aplicado a outros ambientes. O método usual foi revisto e um método novo foi aplicado. A Intervenção Ágil aplicada pelo ILLean foi o primeiro passo.

Venha fazer parte desse desafio.

Rogério Bañolas

25/09/2020

Sucesso na Crise

Diante de um caso desolador, são poucas as empresas que conseguem recordes. Esse é o caso da Diferpan, distribuidora de materiais de construção, que vem alcançando resultados impressionantes durante a pandemia com a contribuição da Logística Lean.  Diga-se: são resultados mais do que positivos. São recordes históricos.

  • Mais de 40% de aumento de vendas em relação ao mesmo período de 2019.
  • Faturamento de abril/2020 acima da meta estabelecida.
  • Mai/Jun/Jul-2020: recordes históricos de faturamento em sequência com os mesmos recursos (ativos logísticos, colaboradores, tecnologia).
  • Obtenção de fatia do mercado, aproveitando o momento de vendas para aqueles clientes do varejo que estavam fazendo reformas e construções.

Esses resultados foram obtidos, mesmo com a queda de faturamento no setor de 21,5% em relação a maio do ano anterior, segundo a Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção).

Os componentes estratégicos da Logística Lean contribuíram de forma significativa para o desempenho da empresa.

  • [1] Operação Just-in-time.
  • [2] Possui lead time – prazo de entrega – pequeno.
  • [3] Processos internos focados na agregação de valor ao cliente.
  • [4] Atendimento no menor prazo possível.
  • [5] Solução de problema ou necessidade focada no cliente.
  • [6] Proporcionar uma boa experiência ao cliente.
  • [7] Sabendo que o cliente tem dificuldades para gerir seus estoques, o estoque foi reposto de um dia para o outro.
  • [8] Redução das rupturas no suprimento ao cliente.
  • [9] Entregas frequentes para se adequar ao espaço limitado nas lojas dos clientes.
  • [10] Giros de estoque suficientes para manter um bom sortimento de produtos.
  • [11] Ajuste das rotas para se adaptar às variações de locais de entrega.

Pelas numerações acima marcadas na figura da Trilogia dos 3 C´s a seguir, explica-se a ESTRATÉGIA, tipicamente centrada no valor. O fluxo de valor cliente (de [1] ao [9]) garantem a VANTAGEM EM VALOR. Os diferencias de custo, representadas por [10] e [11]) produzem a VANTAGEM EM VALOR. Ambas determinam a lucratividade da empresa.

Pelas numerações acima marcadas na figura da Trilogia dos 3 C´s a seguir, explica-se a ESTRATÉGIA, tipicamente centrada no valor. O fluxo de valor cliente (de [1] ao [9]) garantem a VANTAGEM EM VALOR. Os diferencias de custo, representadas por [10] e [11]) produzem a VANTAGEM EM VALOR. Ambas determinam a lucratividade da empresa.

Nos momentos de crise ou não, o sucesso da empresa depende da VANTAGEM EM VALOR e da VANTAGEM EM VALOR. A formulação da estratégia começa com a determinação do conteúdo de valor entregue ao cliente a um custo adequado. Qualquer empresa deveria dedicar um especial esforço ao definir os objetivos de VANTAGEM COMPETITIVA (VALOR e CUSTO). A redução dos desperdícios contribui para a obtenção da vantagem em custo. A vantagem em valor contribui para o aumento de vendas e fidelização do cliente.

A Logística Lean contribui na formulação e na execução da estratégia ao “continuamente aumentar valor e reduzir os desperdícios na logística interna e externa”.

Nunca é tarde para adotar uma estratégia vencedora.

Rogério Bañolas

15/09/2020

Desperdício, Valor e Marketing

Não tem jeito, o negócio está em risco quando o valor agregado cai. Quem tem mais de trinta anos lembra das fitas de vídeo VHS. As marcas Philips, TDK e JVC eram bem conhecidas pelos consumidores que vivenciaram o ritual de reservar os filmes para o final de semana e devolvê-los na segunda-feira. Os filmes novos eram ansiosamente aguardados e normalmente demorava para obtê-los. Mas, com o tempo, a preferência dos consumidores migrou para as fitas VHS-C, depois para os DVDs e, finalmente, para o streaming, reduzindo drasticamente a demanda.

A alta produtividade da fabricante japonesa Funai Eletric, não foi suficiente para manter sua produção. Chegou a vender 15 milhões de aparelhos de vídeo cassete por ano. Parou de produzi-los em 2016. A vantagem competitiva era de custo (ou equivalentemente, de produtividade).

Analisando sob a perspectiva de valor agregado aos clientes, no início do ciclo de vida do produto, a vantagem de valor marcava a posição estratégica dos pioneiros. No composto de valor, o Marketing ocupou um papel central, porque o mesmo agrega valor ao definir os benefícios do produto, ao alinhar o produto com a demanda, promovê-lo, sugerir o preço adequado e cuidar do comportamento geográfico das vendas. A promoção de marketing divulgava as funcionalidades dos videocassetes, informava aos consumidores os pontos de vendas e de assistência técnica. Contudo, devido aos produtos substitutos, os fabricantes de videocassetes foram migrando da vantagem em valor para vantagem de produtividade (custo).

Continuaram com produtividade alta, mas os clientes não viam valopaintr algum no produto. Enfim, a demanda minguou e as fábricas fecharam.

Para fins de raciocínio, considerando que o produto não tivesse ficado totalmente obsoleto. Traçando um paralelo com o Sistema Lean, a situação inicial era de LIDERANÇA EM VALOR e EM CUSTO. Porque o valor percebido pelos clientes era alto e os custos eram baixos. 

Supondo aqui que a eliminação dos desperdícios tenha sido a causa dos custos baixos de produção e da alta produtividade, não bastaria eliminar os desperdícios para manter a vantagem competitiva. Quando o produto perde valor aos olhos dos clientes, a empresa pode estar próxima do fim.

Quando se mapeia o processo, salvo algum engano, o FOCO é na REDUÇÃO DE DESPERDÍCIOS. Na maioria das empresas, alguém está zelando pelo projeto do produto, pela gestão do ciclo de vida do produto e pelo Marketing. Talvez não dando ênfase nestes e nas suas conexões com o Lean. Parece que a prática lean deixa a desejar na agregação de valor do produto (exceto aquelas que executam o Desenvolvimento Lean de Produtos) e do MARKETING. O Marketing, que também agrega valor, ocupa uma posição secundária no Sistema Lean.

Admitamos, que o foco do sistema lean na eliminação dos desperdícios pode não dar a importância devida ao valor adicionado pelo produto e pelo marketing.

O Marketing deveria adquirir maior importância relativa nos Sistemas Lean, em relação aos aspectos operacionais, tais como o mapeamento de fluxo de valor e a redução de desperdícios?

Rogério Bañolas

01/09/2020.

 

Minha conversa com Taiichi Ohno

Minha conversa com Taiichi Ohno

Fui chamado por Taiichi Ohno. Diziam que o homem era brabo. Entrei na sala. Ele olhava meus rabiscos que estavam sobre a mesa dele. Confesso que me deu um calafrio.

*** SUPEROFERTA / SUBOFERTA / ESPERA / MOVIMENTAÇÃO / DEFEITOS / PROCESSO / PERDAS P ***

Ele perguntou sem levantar a cabeça e sem dar bom dia: “você diz que estas 7 perdas valem tanto para a Produção quanto para a Logística. Disparou: não me faça perder tempo! Por que você diz que PERDA POR MOVIMENTAÇÃO vale também para a logística?  Você diz que TRANSPORTE NÃO É PERDA.” Completou a frase com uma baforada de cigarro na minha cara.

Eu disse, com medo de ser xingado: Ohno san, é que…. quero dizer…. ãrrã… a perda por MOVIMENTAÇÃO é, por exemplo, quando um material é movido para frente e para trás entre postos de trabalho. Isso é uma PERDA POR MOVIMENTAÇÃO na PRODUÇÃO. Quando, do armazém em diante, um produto não está sendo movimentado em direção ao cliente, no momento que ele quer, é uma PERDA POR MOVIMENTAÇÃO. Na LOGÍSTICA, quando o produto é transportado em direção ao cliente, no momento certo, não existe perda por transporte !!!

Notei, constrangido, que eu tinha falado demais. Esperei alguns segundos que pareceram uma eternidade.

Ohno san olhou com irritação para mim. Falou seco, quase gritando: não entendo como você ousa criticar as bases da Toyota. Jogou outra baforada para cima de mim. “Por que acha que pode me desafiar? Eu sei o que é desperdício! Acha que pode mudar o nome dos desperdícios! Você pensa que renomear os desperdícios faz com que seja mais fácil eliminá-los”?

Nunca entendi que tipo de RESPEITO é esse, aos gritos.

Agora saia, disse o sensei. Completou, mal-humorado, apontando para meus rabiscos: espere por mim no armazém, para me mostrar as outras seis perdas.

Fiquei muito, muito feliz. Entendi que ele tinha aprovado minha visão sobre a PERDA POR MOVIMENTAÇÃO.

Acabou o dia e ele não apareceu. Não tive coragem de chamá-lo! Foi aí que eu entendi. Ohno não queria explicação. Queria ver. Sabia que eu não eliminaria seis perdas. Queria que eu eliminasse pelo menos um dos outros seis desperdícios. Uma semana depois ele me chamou no armazém. Mostrei a perda por suboferta, que a equipe da logística tinha diminuído. Depois de uma semana de trabalho, 99% dos embarques saiam completos.

A sensação foi estranha: nervosismo por causa dos outros cinco desperdícios que eu teria que eliminar. E certeza de que estava indo no caminho certo.

Até agora não sei se foi sonho ou pesadelo.

Fonte: http://www.prolean.com.br/nao-ha-8-perdas-parte-viii/

Rogério Garcia Bañolas

15/08/220

Lean: ágil ou rápido

Taiichi Ohno utiliza a fábula, uma analogia, da lebre e da tartaruga para mostrar a importância do fluxo contínuo, sua relação com os estoques intermediários e a noção de uma falsa produtividade. O que aparentemente é mais lento, na verdade é mais rápido. Realizado em menos tempo.

Como deve ser a primeira intervenção na operação (logística, produção ou serviços), gastando o menor tempo possível? O problema escolhido deve ser importante ou ajustado ao tempo limitado? O tempo de intervenção deve ser ditado pelo método (por exemplo, o kaizen blitz)? É uma questão de tradeoff.

Ágil, na nossa visão, é o menor tempo possível para resolver um problema importante. Entendemos rápido como sendo a corrida de uma lebre. Ambos têm a ver com produtividade, lead time, custo, investimento, eficácia e a utilização de ativos.

Duas plantas daninhas têm efeitos diferentes: apesar de ambas ocuparem o lugar do pasto, reduzindo a quantidade de alimento para o rebanho, o espinilho é pior, pois machuca os animais com seus espinhos.  A Maria-mole é um arbusto médio, que compete com o pasto. O espinilho é uma árvore sob a qual não nasce pasto.

Ser rápido é comprar uma roçadeira manual para resolver o problema mais fácil: cortar as marias-moles. Ser ágil é escolher cortar os espinilhos, problema mais difícil, maior e mais importante, uma árvore daninha. A maria-mole é um arbusto.

Um machado afiado dá conta de cortar o fino tronco da árvore. Uma máquina (roçadeira manual) é mais cara, tem maior custo e implica em investimento.

A rapidez é uma questão relativa. Pode ser que a roçadeira faça em menos tempo ou não. A roçadeira tem que parar para se colocar gasolina ou quando as navalhas enroscam nos ramos. De qualquer forma, um pouco mais de tempo de machado justificaria o menor investimento e menor custo – a tartaruga chegaria um pouco depois da lebre – do que roçar. Ou, melhor ainda, se o machado afiado abrir uma área maior por hora em relação à roçadeira.

Optamos por uma abordagem (intervenção) ágil em vez de uma solução rápida. Optamos por escolher o problema a ser atacado considerando o tradeoff entre relevância, resultado e esforço empregados na solução do problema.

 

Rogério Bañolas

09/08/2020

A Melhoria do Método de Melhoria

É possível desenvolver um método que seja melhor do que o Kaizen.

Masaaki Imai, consultor e autor do livro Gemba Kaizen têm a estatura prática e intelectual de Kaoru Ishikawa, Chihiro Nakao, Yoshiki Iwata e Akira Takenaka.

Em 1957, bem antes que se falasse em lean no Ocidente, possivelmente acreditava que a prática gerencial poderia ser melhorada a partir de uma análise séria. No Japan Productivity Center, em Washington D.C., estudou as práticas de gerenciamento norte-americanas por 5 anos para tentar introduzi-las no Japão.

O método Kaizen é fantástico. Mas é possível melhorá-lo. Seria uma incoerência ter um método de melhoria contínua que não pudesse ser melhorado. Através de aperfeiçoamentos na aplicação, o Método de Melhoria através da Intervenção Ágil pretende ser melhor. Tentamos imitar Imai: estudar o que existe, criticar, imaginar como pode ser melhor e experimentar. Só a prática intensa e persistente do uso do método dirá. Errar faz parte da tentativa.

O aspecto tempo. Tardiamente – somente em 1990 o termo lean foi criado – os norte-americanos começaram a entender o sistema de produção japonês. Pode-se dizer, apesar da controvérsia, que em 1963 o Sistema Toyota de Produção estava maduro para ser aplicado em outras fábricas da Toyota. Demorou para chegar lá. Ter paciência. E humildade para descartar o método. Mas não ter medo do erro. E ter a ousadia de tentar. Ouvir críticas.

No ILLean, o método de Intervenção Ágil, aliado ao Sistema de Fluxo, pode ser confundido com o Blitz Kaizen. Há semelhanças e diferenças. Ser ágil é ser tão rápido quanto possível, obtendo a melhor relação resultado/esforço. Um evento kaizen, realizado em 3 dias pode ser bom ou ruim, dependendo do resultado. O método Intervenção Ágil requer o cuidado de não gerar expectativas exageradas. Tal como o Blitz Kaizen, não dá sustentabilidade ao Sistema Lean. São os primeiros passos somente. Oportunamente falaremos sobre sustentabilidade.

  Blitz Kaizen Intervenção Ágil
Resultados típicos Variado 30-30-30
Gama de resultados Variado Lead time-Inventário-Custo
Duração típica 1 a 5 dias em 1 semana +Resultado/-Esforço em 5 a 10 dias em 1 ou 2 semanas, espaçadas ou não
Foco Variado Fluxo
Abordagem Prática Prática
Treinamento Linguagem Japonesa/ Kaizen/PDCA/Lego On-the-job/linguagem simples/analogias
Assumption Adotar Sistema de Gestão Lean Empresa escolhe sistema de gestão / adota ou desiste do lean
Agente de mudança Consultor ou sensei Sensei
Liderança Lean Sim Sim
Método Kaizen/PDCA/VSM Sistema de Fluxo
Cases existentes Muitos Poucos
Indústrias aplicadas Muitas Muitas
Sustentabilidade Não Não
Estado futuro Norte Verdadeiro Visão Lean
Escala de tempo Inicio, meio ou fim da transformação 1º. passo/1o. degrau

Podemos, pelo menos, especular se o Sistema Lean pode ser iniciado através de uma prática sutilmente melhor.

11/07/2020

Rogério Bañolas