Leap of Faith. Barreiras à Implantação do Sistema Lean

Salto de fé. Para Art Byrne, autor do livro Lean Turnaround, é fundamental que as pessoas tenham fé no sistema lean para que a jornada comece. À princípio, a necessidade de ter fé nos remete a algo místico. Mas, na interpretação do Instituto Logística Lean®, não é essa leitura que fizemos.

O primeiro passo exige uma luta pessoal contra pensamentos dominantes. A começar por uma visão equivocada sobre produtividade baseada na produção em massa. “Diluir custos” com base na produção de quantidades e nos lotes grandes é um pensamento corrente, completamente contrário ao Lean Thinking. O primeiro passo pode ser uma Intervenção Ágil que realiza resultados rapidamente, por um sensei. Mas isto não garante a continuidade da jornada. Abandonar o Lean, de saída, é válido, é legítimo. Vai ser preciso acreditar para superar o primeiro degrau. Depende muito da habilidade e experiência do sensei. Também a da liderança.

Quando se trata de diminuir estoques, as pessoas mostram medo. Sim, medo mesmo. Nós classificamos este comportamento como Barreira de Insegurança. Vivenciamos objeções a qualquer decisão que implique à diminuição dos níveis de estoque e ao enfrentamento de problemas, o que chamamos de Barreira de Inconsciência Hábil. Neste último caso, os comportamentos de resistência são sutis. Reconhecê-los é um desafio, mesmo para os praticantes mais experientes.

Nós, nos ILLean, estamos aprendendo a lidar com as Barreiras ao Lean. Mas, pelo menos, aprendemos a enxergá-las e tentamos eliminá-las. Não custa reforçar: exige prática.

Penso que entendemos agora o que é Leap of Faith na visão de Art Byrne. O que o salto de fé significa para o sucesso do Lean.

Vamos admitir que com fé ou sem fé o primeiro passo pode ser dado, não é? Conhecer as barreiras e vencê-las é fundamental.

05/07/2020

Rogério Bañolas

Crise. O que a Toyota tem para nos ensinar?

É sobre relacionamentos e pessoas. Bem antes de fundarmos o Instituto Logística Lean (IILean), ouvimos muitas e muitas vezes que a gerência era resistente à mudança. Particularmente nos nossos projetos, vivenciamos isso todos os dias. Algumas vezes, o IILean se depara com uma gerência comprometida, noutras ela tem dificuldade de se engajar. A reação das pessoas não era devido a algum tipo de crise. Tinha relação com as mudanças e as melhorias.

Nas nossas intervenções de melhoria não havia sequer uma crise artificial, dada pelos experts do lean como condição necessária à mudança, necessária às melhorias.

A crise é enorme, mas Akio Toyoda, CEO da Toyota sente-se calmo. A crise da Covid-19 é imensamente maior. Maior que a crise de 2009. Maior que o terremoto em Kobe, de 2015.

O que isso tem a ver com o comportamento da gerência?

Desde a crise financeira, há 11 anos atrás, Akio tem testemunhado ou experimentado mudanças drásticas, enormes. No início de sua gestão como presidente da Toyota ele percebeu que nem o pessoal interno, nem o externo à empresa ficou muito feliz com sua chegada.

Internamente, praticamente quase todos os empregados, principalmente o pessoal técnico ou administrativo, trabalhariam no seu próprio ritmo. Parecia a ele que as pessoas tinham suas próprias teorias de como as coisas deveriam ser feitas. Mesmo pedindo, os empregados não queriam mudar o status quo.

Não é nada fácil mudar teorias e hábitos arraigados. No IILean tratamos as melhorias como uma jornada com muitas barreiras no caminho. Uma escada com muitos degraus antes de atingir a visão ou chegar a ser uma empresa lean.  Identificamos os tipos de barreiras que aparecem no caminho e tratamos de removê-las. Nos preocupamos especialmente com o primeiro degrau.

Diante de uma barreira, os gestores mostram alguma insegurança que deve ser tratada durante a intervenção para melhorar os processos da empresa. Agora, imaginem uma barreira colossal como esta grande crise. Parece impossível não ficar inseguro. Contudo, Akio diz que quanto mais calmo ele estiver, mais calmas serão as coisas na companhia, mesmo diante de uma crise gigantesca.

Durante as crises, Akio teve oportunidade de ajudar as pessoas, que passaram a ouvi-lo e demonstrar simpatia. A quantidade de pessoas que querem trabalhar com ele está aumentando. Quando encontra estas pessoas sente que as oportunidades de “dizer obrigado” são cada vez maiores. Isso nos sugere que as pessoas estão melhorando.

Quando o ILLean faz uma intervenção dizemos a toda hora: “façam”; e depois do resultado alcançado dizemos “muito bem”, num misto de exigência e reconhecimento pelo esforço das pessoas.  Também valorizamos o esforço.

Akio Toyoda não perde uma oportunidade de agradecer, mas sabemos que nível de exigência da Toyota é proporcional à qualidade dos processos e produtos. Espera que continuem a enfatizar o tipo de relacionamento onde podem dizer obrigado uns aos outros. Com este nível de relacionamento não deveriam mudar a ideia de que trabalham para alguém que não eles: para a Toyota.

O ILLean acredita que as pessoas se sentem motivadas a fazer algo maior do que elas mesmas. Numa equipe, o objetivo mais elevado é coletivo. Tentam todos os dias alcançar o degrau mais alto, a visão de futuro. Para tanto, é preciso dar o primeiro passo.

Lembre-se que você superou crises anteriores. Fique calmo. Ajude. Exija. Melhore. Conquiste a confiança da equipe. Diga obrigado. Trabalhe por algo maior.

22/06/2020

Rogério Bañolas

Fonte: https://toyotatimes.jp/en/insidetoyota/075.html  FY2020 Financial Results Press Conference