A velocidade ideal da transformação

Qual a velocidade certa para a transformação lean ser bem-sucedida? Essa é uma questão crucial quando pensamos em sustentabilidade da mudança. Ir muito rápido ou muito devagar está incluído na lista de 7 erros da transformação lean listados por David Brunt. Ir muito rápido ultrapassa a capacidade de a empresa desenvolver competências. Ao ir muito devagar perde-se o senso de urgência e a inquietação necessárias.

Podemos avançar com qual velocidade? A pergunta – e esta é A pergunta com A maiúsculo – é respondida da seguinte forma por Brunt: quebrar o plano em pedacinhos.

É aí que decidimos adotar um outro caminho. Presumimos que o primeiro degrau da mudança não se fixa necessariamente na existência de um plano. O plano vai se formando ao longo da intervenção de curto prazo, que é nosso interesse institucional.

Em vez de “quebrar o plano” adotamos o “Modelo do Cardume”. Peixes nadam sincronizados até que o “tubarão da mudança” aparece. A maioria de nós já viu esta cena: quando os peixes percebem o tubarão passam a nadar mais rápido, mas os peixes ainda seguem na mesma direção, conduzidos por um líder somente, mas a uma velocidade muito baixa. É necessária uma velocidade maior. E o tubarão a impõe. Se o tubarão for muito rápido, o cardume se desorganiza dividindo-se em dois ou mais grupos caóticos, cada um com uma liderança puxando para o seu lado.

Baseando-se nessa imagem do cardume podemos explorar ludicamente o processo de mudança: modelos de transformação; o papel da liderança; a velocidade ideal; a motivação; a existência de um propósito; resultado x processo; uma receita para mudar; e dentre outros fatores, a simplicidade do lean frente à complexidade da transformação. Não há fórmula 100% segura para fazer a mudança acontecer. Não há um plano rígido.

A verdade é que a velocidade ideal pode ser escolhida intuitivamente e ser dependente da expertise tácita do sensei. Isso não basta: é preciso tornar o conhecimento explícito e relativamente independente do sensei para que os líderes possam conduzir as mudanças no ritmo ideal quando aquele não estiver presente.

Num primeiro contato do cliente com a iniciativa lean, o sensei saberá que velocidade estabelecer. Este profissional experiente também está sujeito a erros, porém com um grau de sucesso maior.

Venha conversar com o Instituto Logística Lean sobre os momentos iniciais e cruciais da transformação lean.

Referência: https://www.leanuk.org/seven-mistakes-with-lean-transformations/  

Consultada: Lean Transformation Framework de John Shook.

 

Mortalidade das empresas

 

Você sabia que 23,4% das empresas abertas no Brasil são fechadas em menos de 02 anos? Menos da metade das empresas abertas no Brasil na última década sobreviveram por mais de cinco anos?

Esses dados alarmantes são da pesquisa feita pelo SEBRAE em 2016, quando o Brasil passava por um cenário bem diferente do atual (pandemia) e mostrava indicadores favoráveis tais como: expansão do PIB; queda do desemprego; queda dos juros; expansão do rendimento médio e melhora do ambiente legal.

A mesma pesquisa aponta que para 12% dos entrevistados a maior dificuldade enfrentada por eles no primeiro ano é a falta de conhecimento, sendo que 15% dos entrevistados dizem que não teriam fechado sua empresa, em menos de 02 anos, se tivessem mão de obra mais qualificada.

Conforme o tipo de empresa, dois anos são pouco tempo para preparar os empresários e sua equipe. Principalmente no que tange à melhoria de produtividade, da qualidade, de prazos e de custos (especificamente desperdícios).

Nestes quesitos, as empresas se sairiam melhor ao utilizar um conjunto de competências específicas.

Empresas fechadas antes de completar 2 anos1 Competências2
Não negociou prazos com fornecedores Diminuir rapidamente prazos/lead times para melhorar o fluxo de caixa.
Não obteve empréstimos em bancos O caixa é necessário e melhor ainda se aumentar a disponibilidade de caixa via redução de estoques.
Não investiu em capacitação Capacitação modular e focada para os sócios e equipe
Abriu por exigência do cliente Melhorar entrega de valor ao cliente em termos de qualidade, custo e entrega.

Observações: 1 – Extraído da pesquisa do Sebrae 2016; 2 – Know how do Instituto Logística Lean.

Consideramos que é importante uma intervir rapidamente nestes 2 anos críticos – logo após a empresa estabelecer-se -, e elencamos algumas características operacionais necessárias à sobrevivência das empresas: atuação de profissionais experientes, competências compatíveis com o negócio, ser ágil nas decisões, treinamento justamente na medida necessária e proporção alta valor /preço. 

Qualquer empresa carece de conhecimentos em determinadas áreas. Sozinhas, não são capazes de mobilizar rapidamente as competências necessárias.

Mesmos se aplicados por consultores experientes, programas de prateleira não dão conta da necessidade imediata para adquirir competências.

Quando se trata de intervenções ágeis, melhoria rápida dos processos principais e capacitação na prática – tanto para os empregados quanto para os empresários/diretores – defendemos que o sensei é mais eficaz do que outro tipo de profissional. Sensei é a palavra japonesa que denota o mais experiente, aquele “que veio antes”.  Não menos importante é a utilização de linguagem simples, com menos estrangeirismos. Sensei é a única palavra estrangeira usada aqui, pois alguns termos são inevitáveis. São essas algumas das ideias por trás da abordagem do ILLean.

Mateus Macaferri

Rogerio Bañolas

10/06/2021

Insucesso na Implementação do Lean

Artigo escrito por  Matheus Macaferri, agregador do Instituto Logistica Lean.

Lean Manufacturing é uma filosofia de gestão da produção com muitos artigos escritos sobre como fazer para a implementação dar certo, mas somente em poucas empresas o Lean consegue ser realmente implementado.

Na minha opinião, exceto pela falta de liderança, o insucesso da implementação do Lean na grande maioria das empresas vem de dois pontos importantes: baixo entendimento da Filosofia Lean pela diretoria e os baixos resultados no curto prazo. Nesse artigo vou comentar um pouco sobre cada um destes pontos, e como o Instituto Logística Lean pode te ajudar em cada um deles.

  1. Baixo entendimento da Filosofia Lean pela Diretoria:

Na grande maioria das empresas a implementação do Lean vira um programa por parte da diretoria, uma meta em si: “Precisamos implementar o Lean na empresa”.

Transformar a implementação do Lean em uma meta e não um meio para obter os resultados necessários é um forte sinal de que a diretoria não sabe, ou ignora, os princípios da Filosofia.

O fato de a diretoria não compreender a importância do Lean torna a sua implementação quase que impossível, pois o tempo de maturação do Lean é longo, e os percalços provavelmente não serão compreendidos.

O Instituto Logística Lean tem como um dos principais passos no seu programa, o treinamento dos diretores, mas como treinar um diretor sendo que a maioria não tem tempo disponível para isso? O ILLean desenvolveu uma metodologia de treinamento que consiste em reuniões curtas direcionadas àquele problema específico – daquele momento-, selecionando as ferramentas lean justamente necessárias naquele momento. Utiliza intensamente analogias de fácil compreensão que vale também para o chão de fábrica. Todo esse processo de treinamento da diretoria dura no máximo duas horas por vez e é feito em mais de um encontro.

  • Baixos resultados no curto prazo:

As implementações de Lean nas empresas normalmente consistem em um treinamento completo sobre o método e suas ferramentas, que tem uma duração razoável.

O método usual é treinar todos os colaboradores envolvidos. As empresas tendem ensinar todos e implementar somente alguns dos métodos que compreendem o Lean. Várias começam pelo 5S e demoram mais tempo ainda para implementar gestão visual, gestão da rotina, trabalho padronizado, OEE, kanban, célula de manufatura, cadeia da ajuda, dojo e TPM dentre outros. Quando percebe que não está atingindo os resultados esperados, começa a desistir da implementação ou boicotar a mesma. Você, leitor, já passou por isso?

Pessoalmente acredito que os diretores, principalmente nos dias de hoje, precisam de resultados no curto prazo para alimentar um projeto a longo prazo. Mas Matheus “como faço para ter resultado a curto prazo, se o primeiro princípio do Lean é que ele é a longo prazo? ” A resposta a esta questão será apresentada abaixo e demonstrado como o ILLean pode te ajudar nisso.

O Lean é composto de diversas ferramentas que trazem resultados rápidos. A escolha de qual ferramenta utilizar primeiro é de suma importância. Você pode se perguntar: “O que implemento primeiro? ” O conhecimento dos senseis do ILLean, tem como principal objetivo implementar soluções ágeis. No primeiro Genchi Genbutsu, o sensei já faz algumas mudanças possíveis. A partir daí, as melhorias importantes são identificadas e implementadas.

Através do treinamento modular e incremental, o ILLean vai desenvolver, junto aos colaboradores, somente o conhecimento suficiente para tomar ações ágeis.

Com treinamento e implementação focados, o ILLean busca ganhos no curto prazo que vão motivar a diretoria a manter o projeto de implementação do Lean a longo prazo. O ILLean, a longo prazo, tem objetivo de dar sustentabilidade ao Sistema Lean.

O ILLean considera que o diretor e sua equipe devem compreender o Sistema Lean à medida que as mudanças acontecem. Adicionalmente, se houver resultados rápidos, as chances de a empresa continuar a jornada lean são maiores.

Matheus Macaferri

Rogério Bañolas

30/03/2021 – primeira publicaçãohttps://bit.ly/3sMqvKT

Lean: ágil ou rápido

Taiichi Ohno utiliza a fábula, uma analogia, da lebre e da tartaruga para mostrar a importância do fluxo contínuo, sua relação com os estoques intermediários e a noção de uma falsa produtividade. O que aparentemente é mais lento, na verdade é mais rápido. Realizado em menos tempo.

Como deve ser a primeira intervenção na operação (logística, produção ou serviços), gastando o menor tempo possível? O problema escolhido deve ser importante ou ajustado ao tempo limitado? O tempo de intervenção deve ser ditado pelo método (por exemplo, o kaizen blitz)? É uma questão de tradeoff.

Ágil, na nossa visão, é o menor tempo possível para resolver um problema importante. Entendemos rápido como sendo a corrida de uma lebre. Ambos têm a ver com produtividade, lead time, custo, investimento, eficácia e a utilização de ativos.

Duas plantas daninhas têm efeitos diferentes: apesar de ambas ocuparem o lugar do pasto, reduzindo a quantidade de alimento para o rebanho, o espinilho é pior, pois machuca os animais com seus espinhos.  A Maria-mole é um arbusto médio, que compete com o pasto. O espinilho é uma árvore sob a qual não nasce pasto.

Ser rápido é comprar uma roçadeira manual para resolver o problema mais fácil: cortar as marias-moles. Ser ágil é escolher cortar os espinilhos, problema mais difícil, maior e mais importante, uma árvore daninha. A maria-mole é um arbusto.

Um machado afiado dá conta de cortar o fino tronco da árvore. Uma máquina (roçadeira manual) é mais cara, tem maior custo e implica em investimento.

A rapidez é uma questão relativa. Pode ser que a roçadeira faça em menos tempo ou não. A roçadeira tem que parar para se colocar gasolina ou quando as navalhas enroscam nos ramos. De qualquer forma, um pouco mais de tempo de machado justificaria o menor investimento e menor custo – a tartaruga chegaria um pouco depois da lebre – do que roçar. Ou, melhor ainda, se o machado afiado abrir uma área maior por hora em relação à roçadeira.

Optamos por uma abordagem (intervenção) ágil em vez de uma solução rápida. Optamos por escolher o problema a ser atacado considerando o tradeoff entre relevância, resultado e esforço empregados na solução do problema.

 

Rogério Bañolas

09/08/2020

A Melhoria do Método de Melhoria

É possível desenvolver um método que seja melhor do que o Kaizen.

Masaaki Imai, consultor e autor do livro Gemba Kaizen têm a estatura prática e intelectual de Kaoru Ishikawa, Chihiro Nakao, Yoshiki Iwata e Akira Takenaka.

Em 1957, bem antes que se falasse em lean no Ocidente, possivelmente acreditava que a prática gerencial poderia ser melhorada a partir de uma análise séria. No Japan Productivity Center, em Washington D.C., estudou as práticas de gerenciamento norte-americanas por 5 anos para tentar introduzi-las no Japão.

O método Kaizen é fantástico. Mas é possível melhorá-lo. Seria uma incoerência ter um método de melhoria contínua que não pudesse ser melhorado. Através de aperfeiçoamentos na aplicação, o Método de Melhoria através da Intervenção Ágil pretende ser melhor. Tentamos imitar Imai: estudar o que existe, criticar, imaginar como pode ser melhor e experimentar. Só a prática intensa e persistente do uso do método dirá. Errar faz parte da tentativa.

O aspecto tempo. Tardiamente – somente em 1990 o termo lean foi criado – os norte-americanos começaram a entender o sistema de produção japonês. Pode-se dizer, apesar da controvérsia, que em 1963 o Sistema Toyota de Produção estava maduro para ser aplicado em outras fábricas da Toyota. Demorou para chegar lá. Ter paciência. E humildade para descartar o método. Mas não ter medo do erro. E ter a ousadia de tentar. Ouvir críticas.

No ILLean, o método de Intervenção Ágil, aliado ao Sistema de Fluxo, pode ser confundido com o Blitz Kaizen. Há semelhanças e diferenças. Ser ágil é ser tão rápido quanto possível, obtendo a melhor relação resultado/esforço. Um evento kaizen, realizado em 3 dias pode ser bom ou ruim, dependendo do resultado. O método Intervenção Ágil requer o cuidado de não gerar expectativas exageradas. Tal como o Blitz Kaizen, não dá sustentabilidade ao Sistema Lean. São os primeiros passos somente. Oportunamente falaremos sobre sustentabilidade.

  Blitz Kaizen Intervenção Ágil
Resultados típicos Variado 30-30-30
Gama de resultados Variado Lead time-Inventário-Custo
Duração típica 1 a 5 dias em 1 semana +Resultado/-Esforço em 5 a 10 dias em 1 ou 2 semanas, espaçadas ou não
Foco Variado Fluxo
Abordagem Prática Prática
Treinamento Linguagem Japonesa/ Kaizen/PDCA/Lego On-the-job/linguagem simples/analogias
Assumption Adotar Sistema de Gestão Lean Empresa escolhe sistema de gestão / adota ou desiste do lean
Agente de mudança Consultor ou sensei Sensei
Liderança Lean Sim Sim
Método Kaizen/PDCA/VSM Sistema de Fluxo
Cases existentes Muitos Poucos
Indústrias aplicadas Muitas Muitas
Sustentabilidade Não Não
Estado futuro Norte Verdadeiro Visão Lean
Escala de tempo Inicio, meio ou fim da transformação 1º. passo/1o. degrau

Podemos, pelo menos, especular se o Sistema Lean pode ser iniciado através de uma prática sutilmente melhor.

11/07/2020

Rogério Bañolas